O número circula em todo lugar: um em cada três jovens brasileiros tem diagnóstico de transtorno de ansiedade. É um número que choca, que gera manchetes, que alimenta debates sobre redes sociais, sobre pressão acadêmica, sobre o fim do mundo climático. Mas o que o número não diz é quase tão importante quanto o que ele diz.
Para começar: o aumento nos diagnósticos não significa necessariamente aumento na prevalência do problema. Significa também — e talvez principalmente — que mais pessoas estão procurando ajuda e recebendo diagnóstico. Isso é, em parte, uma boa notícia: o estigma em torno da saúde mental diminuiu significativamente na última década.
O que os dados realmente mostram
A pesquisa mais abrangente sobre saúde mental de jovens brasileiros em 2026 foi realizada pelo IPEA em parceria com a FIOCRUZ. Entrevistou 12.400 pessoas entre 18 e 29 anos em todas as regiões do país. Os resultados são nuançados.
Sim, 33% relatam sintomas consistentes com transtorno de ansiedade. Mas desse total, apenas 41% receberam diagnóstico formal. E desses, apenas 28% estão em tratamento — seja psicoterapia, medicação ou ambos. Ou seja: a maioria das pessoas com sintomas de ansiedade não está sendo tratada.